Bárbara Eugênia

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Não, amigo(a), para o bem ou para o mal, Bárbara Eugênia não é uma cantora/compositora “fofa” nem fez um disco idem. O mais fácil e confortável dos adjetivos da safra não lhe cabe, murmuro, digo, redundo, aposto, carimbo, cutuco: “Journal de BAD” vai além muito além, é disco grande. Guardemos a tentação ou ideia de fofura no bolso ou no palato.

Fichas na jukebox, moedas na radiola, prepare seu espírito flamejante para um trilha passional capaz de reacender, num curto-circuito, todos os corações de néon da cidade, esquinas, fachadas, motéis, lares, cabarés, tudo muito romântico.

“Bleeding my heart, oh no”, canta a moça, com a justa noção de que o amor cabe e estoura os gomos da pupila na levada psicodélica dos faróis. No acento do rock ou na chanson, principalmente nesta última, o amor cabe mais apertado ainda.

Música cosmopolita contemporânea, maestro, devidamente matizada nas cores dos trópicos, com a Harley Davidson de Gainsbourg ao fundo, please, muito barulho nessa hora. Não obrigatoriamente um(a) cantor(a) se parece mais verdadeiro(a) quando interpreta e masca os seus próprios vocábulos, caso da maioria das faixas deste disco.

Bárbara Eugênia, carioca que vive em São Paulo cercada de gente do mundo todo, se parece sim, crença nas suas composições, como quem acorda, pega a trilha de sonhos e submete ao assobio do namoro novo ou afoga tudo na quentura da manteiga que derrete nos cafés das manhãs.

Na legítima fuga do amor que trava ou enferruja no calendário (“Agradecimento”) ou no medo do goleiro diante do pênalti (“A chave”), cuidado frágil – este lado para cima!-, aí vem a moça cronista do infortúnio e da ventura amorosa, cotidianos em desabridas letras. “Journal de BAD” é também um disco novo com o melhor dos sintomas modernos da música que se faz hoje no Brasil e em São Paulo: o ajuntamento de artistas como Junior Boca (guitarra, violão, produção e direção musical), Dustan Gallas (baixo, piano, órgão, teclados, mixagem e produção) e Felipe Maia (bateria), só para citar um trio de frente. Porque reparando ainda nos créditos, lá vem uma regravação de Fernando Catatau (“O Tempo”, Cidadão Instigado), uma composição de Junio Barreto, outra de Tatá Aeroplano, colaborações de Pupillo e Dengue (baixo e batera da Nação Zumbi), Otto na goela, Karina Buhr, Juliana R.

Um mar de gente e de histórias. Conheci o “Journal de BAD”, com este mesmo título, ainda como uma espécie de newsletter afetiva distribuída por Bárbara Eugênia aos amigos e conhecidos. Aí está a origem do batismo. É o que este CD reverbera com seus arrastões de epifanias e encantos.
por Xico Sá
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Trupe Chá de Boldo

A trupe Chá de Boldo nasceu no início de 2005.

Há variadas versões sobre sua emergência: uma festa de estudantes de arquitetura revolucionada pelos “muitos carnavais” de Caetano Veloso; o retorno, em um ônibus clandestino, de algum lugar ao sul; festa de ano novo realizada no dia 1º de janeiro.

Difícil precisar. Em julho de 2007, a trupe gravou seu disco demo. Após o lançamento no Teatro Uranus recebeu o convite para se apresentar no Stúdio Sp, ainda localizado na Vila Madalena. E foi lá, depois no baixo Augusta, que a Trupe Chá de Boldo, afetada pelos neons e pequenos ladrões, guitarras, emos e pela convivência com Tatá Aeroplano, iniciou este bárbaro.

O disco ganhou força com a presença de Alfredo Bello, que aceitou produzir o bando depois da temporada de um mês que o Boldo fez com Gero Camilo intitulada Love, Love, Love. Animada por este encontro, pelas festas organizadas com o Dj Tutú Moraes, shows no teatro Oficina e Sesc Pompéia, pelos pré-carnavais armados em parceria com Cérebro Eletrônico e Tulipa Ruiz, a Trupe desembarcou no terreiro Du passo, em agosto de 2009. Esta viagem contou com a companhia, entre outros tantos, de Alfredo Bello, Simone Sou, Gabriel Levy, Tatá Aeroplano, Gero Camilo e Leo Cavalcanti.
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Zé Cafofinho e suas Correntes

quarta-feira, 28 de julho de 2010

'Dança da noite'

"O disco tem uma tensão muito interessante entre antigo e moderno, raiz e antena,rural e urbano.A textura sonora é muito legal, remete a um monte de coisas bacanas (áfrica,caribe, samba e sertão), mas tem um lance ali muito próprio, original. E gosto muito das canções, com as suas letras fragmentárias bem interessantes.
Estou feliz por fazer parte desse trabalho" (Arnaldo Antunes)


Eis o novo trabalho de Zé Cafofinho, alter ego do multi-instrumentista pernambucano Tiago Andrade.Dança da noite, nome do disco que sai da música assinada em parceria com Arnaldo Antunes, também tomou gosto de um dos caras mais ilustres da música brasileira, Rildo Hora. Com ele, Zé Cafofinho assina Bigode e o mestre ainda empresta a gaita para Vamos pra rua.

Maduro na inventividade e seguro em seu olhar poético e social, Zé Cafofinho chega em Dança da noitepara afirmar suas composições, com arranjos que trazem uma marca singular ao trabalho. A voz grave e intensa carimba o som de forma original.

O disco, todo gravado em 'sistema-caseiro-de-muita-qualidade' ou home estúdio – uma tendência seguida por vários artistas, por dar liberdade no processo de criação – foi mixado por Berna Vieira, antigo parceiro, e masterizado pelo requisitado Gustavo Lenza (que trabalha com gente como Céu). Foram quase dois anos de produção até a chegada do disco nas lojas.

Há mais de dez anos como figura presente na cena musical do Recife, Tiago Andrade traz para sua criação contemporânea a viola de arco – seu principal instrumento -, e desvenda novas possibilidades para uma realidade desenfreada de inúmeras produções musicais.

Com ele, 'amarram-se' as Correntes, banda que o acompanha desde 2006, quando estreou em carreira solo com o CD Um pé na meia e outro de fora. Cláudio Negão (Baixo), Felipe Gomes (banjo), Márcio Oliveira (trompete) e Márcio Silva (bateria) assinalam uma marca peculiar na formação, apresentando a mesma legitimidade quando chegam ao palco.

Músicas dos outros projetos do artista, Variant, Originais do Sample e Songo, também entram em Dança da noite. Uma trajetória que deu alegrias, como as músicas Conceição, que rendeu a gravação de um videoclipe pelo Prêmio Criando Imagens, do Instituto Criar (SP), em 2007; Meio de transporte, selecionada no mesmo ano para compor a coletânea The rough guide to Brazilian street party (Inglaterra, Wmusic Network), junto a outras canções de artistas brasileiros como BNegão, Lulu Santos, João Donato, Marcelinho da Lua; e Espinhos, parceria do Originais do Sample com China, figura versátil e carismática da cena cultural recifense.


:: Dança da noite – um faixa a faixa rasteiro, por Zé Cafofinho:


1) Poço - Um tema dos Balkans que se une a uma letra de 1993. Coisa que se tira da gaveta.

2) Xirley – Fiz para o originais do Sample, em 2003. Um breguinha... Já pelo 'gosto popular' entra neste álbum como nossa 'música de trabalho'.

3) Bigode – Tem Rildo Hora na parceria. Me Aproximei dele por conta do meu pai (Gaspar Andrade), que também toca gaita. Rildo me mandou a melodia e a harmonia por e-mail e eu respondi rapidinho com a letra.

4) Diké – música de Marco Axé (percussionista de Otto). Xirley, Bigode e Diké compõem uma 'trilogia do adultério'.

5) Dança da noite – Tinha a música inteira pronta e uma letra bem pequena. Aí conheci no último carnaval a filha de Arnaldo, Rosa. Pedi o email dele e enviei Dança da noite em mp3. A resposta veio três meses depois, já marcando um encontro para gravarmos e ensaiarmos juntos no Estúdio das Cavernas, em SP (de Chiquinho, Homero Basílio e China).

6) Pra eles, pra elas – Foi um processo de criação parecido com Poço. Coloquei uma letra que tinha em cima de uma música criada pelas Correntes. Não sei como definir não... Pra dizer que é uma 'afro-beat', prefiro não definir...

7) Jasmim – Uma marchinha antiqüíssima e que agora sai da gaveta com um arranjo com cara de fanfarra do Leste Europeu

8) Cana Dura – Música que nasceu pronta... Um 'reguinho' (diminutivo de reggae), mas eu pensei tanto em Cartola quando fiz essa música...

9) Vamos pra rua – Fiz a primeira frase na viola e repeti no pedal de loop. A múisca surgiu. Na gravação, só viola, voz, bateria e a gaita de Rildo Hora.

10) Silêncio - Era uma dia de sol da porra. Comecei a ler umas poesias horríveis numa 'revista aí' e vi que o bom mesmo era ir para a praia. Fiz a música. "Não vejo filme, nem leio poesia / o bom mesmo que eu gosto é camarão de bacia"

11) Torcida – Crônica de um encontro, que poderia ter sido no parque Treze de Maio ou em Dona Nita, da Rua da Hora...

12) Dança da Noite remix – Deixei esse remix na mão do Sunga Trio (China, Chiquinho e Homero Basílio). E Dengue colocou o baixo.


Pé na meia

Primeiro disco do projeto solo de Zé Cafofinho e suas Correntes, Um pé na meia outro de fora reúne 13 faixas próprias, algumas em parceria com músicos pernambucanos como Bactéria (Mundo Livre e Variant), China (Del Rey), João Carlos (Orquestra Sinfônica do Recife), Hugo Gila (Variant e Academia da Berlinda) e integrantes da Mombojó (Chiquinho e Marcelo Machado), com os quais Zé Cafofinho convive faz tempo. Há ainda participações de nomes como Pupilo (Nação Zumbi), que assina mixagem e bateria de algumas músicas, e Berna Vieira (Bonsucesso Samba Clube e Estúdio Batuka), responsável pela gravação e mixagem de algumas faixas. O CD esteve entre os 20 discos mais vendidos em 2007 pela Tratore, que distribui o trabalho dentro e fora do Brasil.
















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Validuaté

Há 5 anos, a Validuaté faz a alegria girar nos dias e noites teresinenses. Lançou seu primeiro disco, Pelos Pátios Partidos em Festa, em 2008. Participou da gravação de um DVD – o "Amostra Cumbuca Cultural" – em conjunto com outras três bandas locais: Conjunto Roque Moreira, Captamata e Batuque Elétrico. Leva seu som para fora do Piauí apresentando-se em feiras de música e shows pelo país. O álbum Alegria Girar foi produzido pela própria Validuaté.

Alegria Girar é o novo disco da banda Validuaté. Lendas fantásticas + cinema de canção + samba-rock de vingança + romantismo com amores e flores + masoquismo sanguinário + várias surpresas boas que se amalgamam em um som simplesmente inusitado e gargalhadas pelo ar = Há!Há!Há!Há!

O álbum canta com muitas participações especialíssimas. O poeta Ferreira Gullar, com seu verbo e grave voz, está no disco com versos de "A Luta Corporal" na faixa "Pedaço de Poemas Portugueses". Gentilmente, Gullar nos deu essa força e seremos eternamente todo agradecidos, querido poeta. Depois, as canções seguem re-apresentando o poeta e ator Lirinha, vocalista da banda Cordel do Fogo Encantado, que se envolveu com delírio à fantasia da música "O Hermeto e o Gullar". E o cantor, compositor e ator Zéu Britto que – cheio de volúpia, lascívia e sadomasoquismo – se entregou à "Bruta Como Antigamente".

Quem também empresta sua voz às canções de Alegria Girar é o dublador oficial do X-men Wolverine, o ator Isaac Bardavid, e deixa mágica "A Lenda do Peixe Francês". Com sua voz de trovão, ele é presença marcante-inesquecível em dezenas de produções de estúdios nacionais como Herbert Richers e Delart. Isaac Bardavid nunca havia participado de gravação de música que toca no rádio e ficou surpreso com nosso convite. Para nós da Validuaté, fãs do Seu Isaac, é um prazer imensurável tê-lo conosco – no cd e no rádio – e ajudar a divulgar seu trabalho. A única regravação de Alegria Girar é a canção "Eu Preciso de Você", do cantor e compositor Marcio Greyck. Uma homenagem a um dos nossos ídolos. Homenagem-prolongamento sonoro de nossos abraços.















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Zé Manoel

O pianista e compositor Zé Manoel, nascido em Petrolina - PE, compõe e canta canções tipicamente brasileiras, com influências do chorinho, da valsa brasileira, do jazz e do samba.

Seu trabalho começou a ser apresentado em Festivais de música no ano de 2004 e desde então vem sendo premiado e bastante elogiado. Sob encomenda da UNICEF, em 2005 compôs a música tema do evento internacional "Um mundo para a criança e o adolescente do semi-árido".

Passou por festivais como Edésio Santos da Canção - BA, Festival de Música Geraldo Azevedo - PE, FEMUARTE – PE, Alta Mogiana – SP, Festival Universitário da Canção – PR, Festival de Música e Ecologia de Angra dos Reis – RJ, Festival Nacional da Canção – MG e Festival de MPB do Conservatório de Tatuí – SP. Em 2007 iniciou seus estudos acadêmicos no curso de música na Universidade Federal de Pernambuco. Apresentou-se no XIX FIG (Festival de Inverno de Garanhuns) e 15º Festival RecBeat 2010 e musicou o livro infantil "Quem Inventou o Sorriso", do escritor pernambucano Walther Moreira Santos Há 03 anos Zé Manoel reside em Recife. Seu trabalho vem sendo admirado pelos grandes realizadores de festivais locais, da imprensa nacional e principalmente do público em geral. Pela maioria dos apreciadores, o artista vem sendo considerado como uma revelação na música pernambucana.

A imprensa diz: "Zé, faz lembrar a história de Milton Nascimento, que surgiu, aparentemente do nada, em 1967, vindo do interior mineiro com um punhado de diamantes lapidado na mala. No estilo da MPB Clássica de Chico Buarque, Francis Hime e Edu Lobo, Zé Manoel faz canções de harmonias requintadas, ótimos arranjos e letras precisas, e ainda canta muito bem, num tom raro de barítono, quase sem vibrato."
José Teles – teles@jc.com.br – Jornal do Commércio.

"Zé Manoel se parece com Zé Manoel. Ok, tem influências óbvias de Bossa Nova, mas em nenhum momento parece um simulacro dela. E isso é fácil de explicar: o cara é de uma honestidade rara de se encontrar por aí hoje em dia. Dá para perceber que está cantando sua vida no palco. Que não existe fronteira entre o sujeito que é mais um na multidão e o cara que toca para ela. Tudo é muito simples e verdadeiro. Boas composições, com letras bem sacadas e uma voz agradável de ouvir. E ainda ousou tocar uma versão em inglês de "Sabiá", de Luiz Gonzaga. Sei que este site é acessado em sua maioria por fãs de rock. Mas vale a pena dar uma conferida no trabalho dele."
Hugo Montarroyos – Site Recife Rock/

"A postura de Zé é tranqüila e segura (assim como sua música), tanto a ponto de se permitir, em pleno carnaval, cantar a mais intimista "Valsa da Ilusão", que recebeu aplausos do público antes mesmo de seu término. A apresentação foi encerrada com a positiva "Saraivadas de Felicidade", que conta com aspectos musicais do maracatu e do baião.
Patrícia Colombo – Site Revista Rolling Stone















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Dusouto

DuSOUTO é uma banda brasileira que funde música eletrônica com rock e ritmos regionais nordestinos.

Banda potiguar já abriu grandes eventos em seu estado e já é sucesso em vários outros lugares levando um som pra lá de diferenciado.

Há quem diga: "isso é música de maconheiro vagabundo", opa! Vagabundo não. A gente trabalha. A prova disso é o nosso novo CD "Malokero High Society".
Mais orgânico do que o primeiro, o homônimo "DuSouto", o Malokero é o resultado de músicas que já embalam o show da banda há algum tempo.

Algumas já hits, como "Aonde está meu outro par da sandália havaiana" e "Fazendo a cabeça". Dancin´ hall, ragga, dub, drum´n´bass, samba, funk servem de cama para as letras bem humoradas da banda.

O Malokero é divertido, assim como o show do DuSouto.
Por que você não experimenta?















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Apanhador Só

Laboratório de invenções, a banda porto-alegrense Apanhador Só chega para desvendar os segredos da transmutação. Assim como faz com a sucata que serve de percussão, o quarteto encontra maneiras incomuns para usar estilos e gêneros – reinventados a ponto de eventuais influências se tornarem irreconhecíveis.

Preste atenção em "Balão-de-vira-mundo", que ao invés de seguir de volta ao sertão nordestino de seus antepassados, vai mais ao sul e vira tango. Ou no coro de "Vila do ½ Dia", que mostra como o barroco Clube da Esquina pode combinar com o frescor da Praia do Cassino.

Conhecida do público, "Maria Augusta" retorna com novos arranjos, mais sofisticados. Uma das faixas do EP Embrulho Pra Levar, de 2006, é hit (talvez o maior, até agora) da Apanhador Só e conquista por sua construção: uma letra-refrão com quadrinha capaz de passar entre gerações ("Se por acaso tu disser que não me quer/Eu vou correndo arranjar outra mulher").

"Maria Augusta", aliás, não está sozinha ao propor a sensação de antiga trova popular ou de sabedoria ancestral. Isso é o mais surpreendente: a Apanhador Só coalhou o primeiro álbum com outras tantas reflexões valiosas. Alguns exemplos: "Um rei me disse que quem deixa ir tem pra sempre" ("Um Rei e o Zé"); "Não é o prédio que tá caindo/São as nuvens que tão passando" ("Prédio"); "O nosso amor, uma garrafa de vinho/Virando vinagre devagarinho" ("Peixeiro").

Cuidado, porém, com o que eles dizem. Essa filosofia de verdade-nas-coisas-simples volta e meia é apenas disfarce para uma visão muito mais irônica e desafiadora do mundo. Veja o caso de "Pouco Importa" e do desfecho de "Um Rei e o Zé". Ou do discurso sombrio que vem com a brisa litorânea de "Vila do ½ Dia" ("A coisa tá ficando preta/O céu já vai perdendo o azul"). "Peixeiro" alerta: "Fica encucada/Não sabe se eu falo sério ou palhaçada".

E não é apenas isso que torna o disco da Apanhador Só surpreendente. É verdade que as canções são fruto de longo trabalho de forja e lustre, polidas até atingir aquele ponto de assimilação quase imediata. É também verdade que são executadas e cantadas com primor, e que a assinatura de Marcelo Fruet na produção musical indica capricho. Mas essas mesmas canções sempre carregam um elemento estranho, algo que parece não se encaixar, e que faz com que Apanhador Só mude a cada audição.

Para conseguir esse resultado, contam ainda as colaborações de fora, como o jovem poeta gaúcho Diego Grando, o compositor Ian Ramil, e Estevão Bertoni, vocalista do Bazar Pamplona. A banda também recorre a uma série de objetos normalmente não usados como percussão – entre eles, furadeira, máquina registradora, pato de borracha e a roda de bicicleta, símbolo da Apanhador Só –, que relevam ouvidos atentos aos sons do mundo. Carina Levitan não mais acompanha a banda nos palcos, mas é a principal responsável pelos cacarecos levados ao estúdio.

No fim, é difícil classificar Apanhador Só, que tanto recorre à memória coletiva, como apresenta saídas experimentais impensadas. Alguns podem argumentar que é música pop, mas é apenas meia resposta. O que esses meninos fazem é música popular com espírito aventureiro.

Apanhador Só é Alexandre Kumpinski (voz e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria).

* * *

"Planejei comigo mesmo: assim que tivesse acesso, ouviria o disco inteiro, numa tacada só, antes de abrir a boca. Não consegui. Não passava da primeira música. Malditos venta a fuça lambe-fogo! Botaram 'Um Rei e o Zé' atravancando o trânsito. Com aquele solo de metais, uma continuação do assobio falho do Tom Zé em 'Brigitte Bardot'. Ouvi trocentas vezes antes de continuar em frente. Minha favorita, logo de cara. Só conhecia de shows e ficou linda no álbum. Apanhador Só não é mais aquela banda que eu conheci há uns quatro anos, com as melhores linhas de baixo do rock nacional. Agora eles têm também timbres maravilhosos de guitarra. E o Kumpinski matando a pau nos vocais. Destacaria o hino 'Maria Augusta', agora mais dançante, e 'Jesus, o Padeiro e o Coveiro', frenética, em erupção. Já tô rouco de dizer: discaço."
– Estêvão Bertoni

* * *

"Um velho cego certa vez me disse para eu me fiar na solidão. Que ela instrui os sentidos. Que há mais filosofia numa sola de sapato que num livro, que um armário sabe mais histórias que um museu. Então me veio essa de construir um parque de diversões onde a única coisa a tocar fosse Apanhador Só. Quando o parque vai ficar pronto? Talvez no dia de não-sei-eu-quando, pois que a experiência demonstra: tudo que é cheio de nove-horas envolve muito balangandã e dor nas costas. Mas demore o que demorar, eu espero, só para poder colocar lá dentro todos os serezinhos dessa mitologia muito da singular que a Apanhador inventa, essa ciranda de padeiros e teoria da relatividade, café solúvel batido sem açúcar, reis conselheiros, garrafas quebradas e histórias de pescador, como um coral de caipiras num picadeiro lamentando um amor perdido, ao som das trombetas plásticas que vêm de brinde nos sorvetes de maria-mole. É assim que vai ser, e eu já enxergo a fila no portão. Propus sociedade ao velho, mas ele me mandou catar coquinhos. Prefere trabalhar na bilheteria. O primeiro disco da Apanhador Só é o parque de diversões da minha solidão."
– Diego Grando















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Solana

O Solana surgiu em Vitória (ES) no ano de 2003 com seu primeiro disco "QUANTO MAIS PRESSA MAIS DEVAGAR". Muito elogiado pela originalidade das canções e pelo flerte com a literatura, "QUANTO MAIS PRESSA…" colocou a banda entre as mais requisitadas do cenário local logo nos primeiros meses de seu lançamento. Aproveitando a abertura do primeiro disco, o Solana explorou ainda mais sua capacidade de se inventar e apostou em nova empreitada em 2008 denominada "FELIZ, FELIZ" (www.felizfeliz.com.br), um disco virtual distribuído gratuitamente na internet. Depois de um ano, o Solana lança o seu novo show - "VENEZA". Mantendo a mesma natureza do último disco, este novo passo possui canções simples e arranjos naturais.

O show é composto das músicas do último disco e mais 11 novas canções compostas pela banda que serão gravadas futuramente em um álbum também chamado"VENEZA". Com cenografia minimalista e iluminação teatral, "VENEZA" dá prosseguimento ao trabalho bem conceituado feito desde 2003, concebido para oferecer uma série de produtos culturais que surpreendam pela qualidade técnica e artística, e que represente o Espírito Santo em outros estados e até mesmo fora do país.

O Solana é formado por Rodolfo Simor (guitarras), Juliano Gauche (voz e guitarra), Murilo Abreu (contrabaixo) e Bento Abreu (bateria).















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Sobrado 112

O gênero musical da banda Sobrado 112 foi batizado de Skapolca, combinação do ritmo jamaicano Ska com a polca – estilo de música e dança de compasso binário.
Ficou confuso? Façamos a brincadeira então de juntar os elementos: ritmos caribenhos, jazz, R&B e dança. Saia um pouco da fórmula e adicione aí mais alguns elementos como reggae, dub, samba-rock e demais ritmos baseados no groove.

Está aí a fórmula do som do Sobrado 112. Essa mistura nasceu no Rio de Janeiro, mais especificamente no bairro da Glória, na Rua Benjamin Constant, 112, em 2007, onde moraram Victor Gottardi e Leandro Joaquim, naturais de Ribeirão Preto, e Cláudio Fantinato, de Pirassununga, também do interior São Paulo. Das várias reuniões regadas com esta mistura de ritmos especiais saiu o "Desmanche", primeiro disco da banda, com participações especiais de Aldir Blanc e Lucas Santana. Em 2008, os três músicos se juntaram aos amigos Maurício Calmon, Pedro Dantas e Miguel Martins e caíram na estrada. Essa convivência e amizade resultou num som compacto e original, levando a banda a ser vencedora do Festival Bota Pra Fazer Música no Rio de Janeiro em 2008. Nesse mesmo festival, a mistura de sons da banda chamou a atenção das gravadoras. E o Sobrado112 foi de encontro com a proposta do selo Oi Música, de lançar para o mercado talentos emergentes da cena independente brasileira, que tenham uma brasilidade em seu DNA.

Então, o sexteto gravou o seu terceiro disco, "Isso nunca me aconteceu hoje", sob assinatura artística do produtor Bid, referência na cena musical e responsável pelo "Afrociberdelia", de Chico Science & Nação Zumbi. Esse novo trabalho mostra a sintonia entre os integrantes e a afinidade com as novas canções.















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Mula Manca e a Fabulosa Figura

- Música com carinho -

Mula Manca & a Fabulosa Figura é uma ilimitada comunidade de música, arte e afeto. A idéia teve início no primeiro encontro entre Tibério Azul (voz, violão e canções) e Castor Luiz (voz, piano e canções), logo seguidos por Dom Angelo (guitarra) e Bruno Cupim (percussão).

Ao longo da trajetória em busca de harmonia e sossego, o grupo já transitou por diversos espaços, festivais, jornais, cidades, pessoas. A maior atividade hoje é a música. Uma música delicada, forte – com suavidades sinceras e letras flutuantes. Os integrantes buscam qualidade, honestidade e atenção.

Atenção as coisas que nos cercam – o café da manhã comido as pressas, o trajeto do ônibus lotado, um abraço, o som das folhas das árvores, o engraçado barulho da espuma das ondas do mar quando acaba na areia. Atenção as coisas que nos alimentam e nos preenchem. Atenção as nós mesmos.

A Fabulosa Figura é um sonho acordado onde qualquer um que ouça e diga "o meu coração entendeu" já é parte dele.

Sejam bem vindos.
















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Arthur Nogueira

MUNDANO

Às vezes se chama um cantor de intérprete. Isso quer dizer, é claro, que ele interpreta as canções que canta.

Mas cantores de verdade, como Arthur Nogueira, são mais do que intérpretes das canções que cantam. De fato, as canções de que se compõe o brilhante álbum "Mundano" servem a Arthur para interpretar a luz e o mistério que percebe – e que o fascinam – no mundo em que vive.

Assim, uma canção como "Mal secreto", composta por Jards Macalé e Waly Salomão na década de 1970, torna-se, na voz de Arthur, tão contemporânea quanto suas próprias composições.

Isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que o disco sofra de qualquer tipo de pasteurização musical. Embora dotado, do começo ao fim, de uma profunda unidade, de rara consistência e de alta qualidade musical e poética, ele passa pelos mais diferentes ritmos e moods, sendo que cada uma de suas canções mereceu um tratamento singular e cuidadoso.

Trata-se, em suma, de uma obra original e admirável, que merece a mais ampla repercussão.

Antonio Cicero – poeta, filósofo e letrista carioca
















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Coletivo Abigail

Entre mineiros e cariocas…

O Coletivo Abigail é um projeto artistico plural, talento e todas as idéias num delírio improvável.
Todas as músicas foram compostas, arranjadas, tocadas e gravadas pelos músicos Luiza Brina e Cesar Lacerda.

O projeto conta com seis jovens cariocas e mineiros fazendo arte da melhor qualidade.
Ainda em fase de produção, Coletivo Abigail deve ter seu lançamento oficial em breve!

O musicoteca adianta um EP especial com algumas faixas para suspirar enquanto aguardamos o resultado final deste trabalho primoroso.

Mais sobre as Cabeças Criativas:
Luiza Brina (Graduanda em bacharelado/composição pela UFMG)
César Lacerda (Bacharelando em flauta transversal pela Uni-Rio com formação complementar pela UFMG)
Raquel Pinheiro (Graduada em Design Gráfico pela Universidade Fumec)
Bárbara Silveira (Graduando o curso de Produção Cultural na Universidade Federal Fluminense)
Leonardo Moreira (Graduando em Produção Multimidia pela UNI-BH)
Eduardo Cantarino (Bacharelando em Cinema pela Universidade Federal Fluminense)















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Filipe Catto

Filho de músico, Filipe Catto começou cedo a tocar violão e cantar com o pai em pequenos eventos. E não demorou muito para que Oscar Alves, pai de Catto, percebesse que na voz peculiar do pequeno, poderia surgir um músico de extremo talento. Estimulado pelos pais a criar livremente, desenvolvendo assim características musicais muito próprias, Catto passou a adolescência gravando faixas caseiras que mais além resultariam em um EP.

Em 2005, convidado por Kátia Suman participou do Sarau Elétrico – evento que ocorre todas as terças-feiras, desde 1999, no Bar Ocidente e gira em torno da literatura, sempre com uma canja musical ao final – e em função da repercussão desta participação, Catto seria convidado a tocar novamente no Bar Ocidente mais tarde. Entre 2005 e 2006, Catto fundou algumas bandas e participou de outras, como Catto & Os Corujas, Ácido Vinil e Nancy Nancy, onde vigorava seu lado mais rock e sarcástico. Já mais conhecido no meio artístico, foi chamado pelo diretor João Ricardo para fazer a trilha da peça Andy/Edie, que foi muito elogiada, inclusive pela trilha musical. Nessa mesma época, começou seu projeto solo, com músicas mais intimistas. Ele mantinha um site com cerca de 1.000 acessos diários, onde as pessoas podiam ouvir suas músicas. Inspirado por Cat Power, Catto montou um show intimista, com divulgação na mídia local especializada, como o Programa Radar.

Em 2007, seguiu a carreira solo fazendo shows em bares, gravações em casa e lançou mão de outra ferramenta para divulgação na internet, o MySpace – www.myspace.com/filipecattomusic – obtendo um número bem expressivo de downloads. Gravou a demo Dois, o que resultou em outro show no Bar Ocidente, com a casa lotada. Foi também neste ano que Catto teve talvez uma das experiências mais marcantes da sua vida. Mudou-se para o Brooklin, em NY atrás de buscas pessoais. Esta experiência dentro de outra cultura, acabou por avivar suas influências brasileiríssimas. Passou a pesquisar música brasileira, descobriu ritmos e se apaixonou pela música latina em geral. Especialmente pelas músicas que permeiam as fronteiras do Rio Grande do Sul.

De volta ao Brasil em 2008 montou junto com o diretor João Pedro Madureira, o show Ouro e Pétala, formado de voz, violão e palmas, apresentado, no Teatro Hebraica nos meses de julho e agosto do mesmo ano. Este show marcou a comunhão musical de Catto, que sempre bebeu muito da obra de divas como Maysa e Elis Regina, adolesceu em PJ Harvey e amadureceu com Chico Buarque e Elza Soares. Passada a celebração do retorno, Filipe Catto sentou, compôs e gravou o EP independente e pungente SAGA.

Com SAGA, Catto apresenta toda sua trajetória em busca de uma musicalidade própria, esmiúça suas percepções mais íntimas, suas amarguras, impulsos e anseios. Nos leva junto aos bares de Porto Alegre ou Nova Yorque, a cada rabisco feito em guardanapos de papel, nos apresenta personagens extravagantes da noite boêmia, amores e dissabores com tamanha destreza, que instiga novamente uma velha discussão.

O que será do nosso cenário musical daqui pra frente? Porque assistimos a mais shows em bares e cafés do que em teatros? O que vemos e ouvimos na mídia? Afinal, onde estão os nossos ídolos, divas e divos? Filipe Catto veio pra revigorar e pra reafirmar que existe sim um caminho paralelo a se trilhar, existe sim uma nova gama de músicos pronta para trabalhar, que precisa de espaços para se apresentar e que depende da gente jogar essa nova geração na mídia, porque depois disso é só uma questão de tempo, pra cair no gosto popular [...] "e nessa saga venho com pedras e brasa, venho com força, mas sem nunca me esquecer, que era fácil se perder por entre sonhos e deixar o coração sangrando até enlouquecer" [...] Saga – Filipe Catto

Kika Lisboa - Produtora Cultural em Porto Alegre e produtora de Filipe Catto
















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